terça-feira, 9 de outubro de 2007

" 15 minutos de fama " - Paul Young

De volta aos 80s... a rúbrica " 15 minutos de fama " tem sido especialmente dedicada a nomes que viram a suas carreiras reconhecidas durante um período relativamente curto mas que, mesmo assim, conseguiram algo mais do que um mero " One Hit Wonder ". Andar meia dúzia de anos na ribalta nos Anos 80 já era um grande feito, pelo que contam-se pelos dedos os artistas ou bandas com carreiras longas. Os Starship foram os primeiros a inaugurar esta rúbrica, a 13 de Maio, seguido de Nik Kershaw a 23 do mesmo mês. Desta vez o escolhido foi Paul Young que, em meados da década de 80, chegou a fazer parte da elite da pop britânica. Era mais ou menos um Cliff Richard da nova geração que fez bater o coração de muitas meninas.
Natural de Luton, Bedfordshire, destacou-se pela primeira vez como vocalista dos The Streetband no final dos Anos 70. Mais tarde vieram os Q-Tips, projecto vocacionado para a Soul Music que viria a servir de rampa de lançamento para a carreira a solo.
O primeiro álbum No Parlez foi uma grande revelação ao chegar a Nº1 do Top Britânico em meados de 83. Sem perder a indentidade Soul, Paul Young virou-se para sonoridades mais Pop a tocar a New Wave. A fórmula resultou na perfeição com três singles de grande sucesso, Wherever I Law My Hat (mais um Nº1), Come Back and Stay (Nº4) e Love of the Common People (Nº2). Ao contrário de muitos artistas e bandas britânicas que praticamente só foram conhecidos no seu país ou, quanto muito, no resto da Europa, a popularidade de Paul Young foi bem mais longe, especialmente nos Estados Unidos. Seguiu-se uma digressão mundial, a participação no projecto Band Aid e a actuação no Live Aid em 85.
Com um início de carreira bastante prometedor aguardava-se com expectativa o sempre difícil segundo álbum. Na primavera de 85 é finalmente editado The Secret of Association, depois de alguns problemas de saúde terem afectado a sua voz. Mas a espera valera a pena... o segundo álbum foi um digno sucessor de No Parlez. Apesar de ter permanecido menos de metade das semanas no Top Britânico, chegou também a Nº1. Singles como I´m Gonna Tear Your Playhouse Down (Nº9), Everything Must Change (Nº9), Everytime You Go Away (Nº4) e Tomb of Memories (Nº16) tornaram-se grandes êxitos. A popularidade de Paul Young estava, por esta altura, ao nível das principais estrelas da música britânica. Pessoalmente comecei a ouvi-lo por alturas do segundo álbum. Para além de Everytime You Go Away lembro-me particularmente de Tomb of Memories, cujo video passava frequentemente no Top Disco da RTP. Sendo um das minhas músicas preferidas guardo religiosamente o single comprado no Grandella.

2º Álbum - The Secret of Association - 1985

O facto da maior parte do repertório de Paul Young basear-se em versões Soul e R&B, em nada afectou o seu reconhecimento enquanto intérprete de qualidade. Depois de alcançar o topo e se exceptuarmos o êxito de Senza Una Donna (dueto com Zucchero) que chegou ao 4º lugar do Top Britânico em 1991, a carreira entrava agora numa fase menos mediática, melhor sucedida em termos de álbuns do que singles. Between Two Fires (1986) e Other Voices (1990) chegaram ambos à 4ª posição, resultados relevantes quando comparados com os singles que não marcaram presença no Top 20. Apesar de boas canções, Wonderland e Some People não foram além de 24º e 56º lugares, respectivamente. Em 1991, From Time To Time - The Singles Collection entra directamente para Nº1, dos quatro inéditos destacam-se o já referido Senza Una Donna e Don`t Dream It`s Over, original dos Crowded House. Os álbuns que se seguem pautam-se pela discrição, com The Crossing (1993) a registar o melhor resultado no Top Britânico (um modesto 27º lugar) ao longo da década de 90. Melhor só mesmo o single Now I Know What Made Otis Blue, em 14º.
Como já foi referido os problemas relacionados com a voz marcaram a carreira de Paul Young, forçando-o a algumas paragens que, no entanto, não puseram em causa a qualidade enquanto artista. Aquando da deslocação a Portugal a fim de participar nos Globos de Ouro da SIC (há uns anos atrás), de facto, a voz não se encontrava nas melhores condições. Com maior ou menor exposição mediática podemos, com toda a justiça, considerar Paul Young um nome de relevo da Pop-Soul dos Anos 80. Para terminar, deixo-vos com o video de Come Back and Stay...

2 comentários:

soares disse...

acho que o Paul Young teve um pouco mais que os 15 minutos de fama, deixou ai uns bons discos para a posteridade.

BV disse...

Caro amigo,
Se leu o post todo, certamente terá reparado que jamais depreciei a carreira de Paul Young, ainda para mais quando foi um dos meus artistas preferidos. Tal como referi no post, o objectivo da rúbrica " 15 minutos de fama " é precisamente encontrar um meio termo entre o artista " One hit wonder " e o artista com uma carreira longa. Certamente concordará comigo que por muito valor que tenha a carreira de Paul Young não deverá ser colocada no mesmo patamar da dos U2, Depeche Mode, Eurythmics ou Duran Duran. A carreira de Paul Young, quer em termos de reconhecimento quer em termos de popularidade, foi bem mais curta, daí enquadrar-se perfeitamente no rúbrica escolhida...